Situado na Península de Tróia, entre o Atlântico e a Serra da Arrábida, o Pestana Tróia Eco-Resort & Residence é um exemplo singular de harmonia entre arquitetura e natureza. Com uma área total de 120 hectares, três acessos exclusivos à praia e mais de 360 villas e apartamentos, o empreendimento integra-se de forma equilibrada numa paisagem natural protegida, onde o conforto, a sustentabilidade e a simplicidade coexistem com a vegetação autóctone e a tranquilidade da envolvente.
Foi neste cenário de exceção que o Horto do Campo Grande foi desafiado a colaborar na requalificação do espaço exterior de um dos lotes residenciais do resort, a partir do projeto de paisagismo desenvolvido pelo arquiteto David Flores, do Atelier Biodesign. O objetivo passou por revitalizar o jardim e reforçar a ligação entre o espaço habitado e o ambiente natural, respeitando as características ecológicas da região e privilegiando soluções sustentáveis e integradas.
O projeto partiu da necessidade de criar uma estrutura verde que se fundisse com a paisagem envolvente, valorizando a funcionalidade do espaço e a sua relação com a arquitetura. O desenho definiu áreas distintas, como o pátio de entrada, percursos pedonais, clareira de recreio, zona “chill-out” e deck da piscina, concebidas para oferecer sombra, privacidade e conforto.
A organização dos percursos e dos enquadramentos visuais foi pensada de forma intuitiva, para permitir uma vivência natural e fluida do jardim. O resultado é um espaço equilibrado, que se transforma ao ritmo das estações, convidando ao descanso e à contemplação.
A intervenção privilegiou a permeabilidade dos pavimentos, recorrendo a materiais como areão e madeira, e reutilizando elementos existentes sempre que possível. Nos taludes, a estabilização foi conseguida através de vigas enterradas em V invertido, enquanto na zona “chill-out” foi criado um murete-banco contínuo em madeira, que prolonga o deck e acompanha a topografia. A instalação de um sistema de rega automatizado gota-a-gota enterrado assegura um consumo de água controlado, ajustado às necessidades das espécies e às variações climáticas.
A seleção de plantas teve como princípio a adaptação às condições edafoclimáticas de Tróia, com espécies autóctones de baixa manutenção e reduzida necessidade hídrica. Entre as plantas utilizadas destacam-se Armeria marítima, Erica carnea, Helichrysum stoechas, Lavandula stoechas, Stipa tenuissima e Thymus vulgaris, que conferem textura, aroma e movimento ao espaço. Os arbustos e árvores, como Atriplex halimus, Pistacia lentiscus, Rosmarinus officinalis, Tamarix africana, Cupressus e Pinus pinea, reforçam a estrutura do jardim e asseguram sombra e privacidade, enquanto trepadeiras como Bougainvillea acrescentam cor e dinamismo. Esta composição cria um ambiente campestre, sensorial e harmonioso, onde os tons, aromas e texturas se transformam ao longo do ano, recriando a vegetação natural da península.
Para a Arq.ª Paisagista Vera Clara, responsável pelo Departamento de Projeto e Construção de Espaços Verdes do Horto do Campo Grande, este projeto simboliza “o prazer de desfrutar da natureza num espaço acolhedor e tranquilo, que respeita o ambiente e reforça a identidade do lugar”.
Já a Eng.ª Agrónoma Rita Cabral, diretora da obra, destaca que “a diversidade das espécies escolhidas permite uma experiência sensorial completa num jardim que muda com as estações, desperta os sentidos e transmite bem-estar”.
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