A mais-valia da requalificação do espaço exterior
“Um oásis à beira-mar rodeado pela perfeição da natureza”, é assim que o grupo Pestana descreve este espaço singular, situado na Península de Tróia. Com uma área total de 120 hectares, três acessos exclusivos à praia e mais de 360 villas e apartamentos, o Pestana Tróia Eco‑Resort & Residence está inserido numa paisagem natural cuidadosamente preservada, onde o conforto e a simplicidade convivem com o mar, a vegetação autóctone e a tranquilidade da reserva envolvente.
Foi neste enquadramento privilegiado que o Horto do Campo Grande foi desafiado a colaborar no projeto de requalificação do espaço exterior de um dos lotes residenciais, integrados no empreendimento. A intervenção teve como base o projeto de paisagismo desenvolvido pelo arquiteto David Flores, do atelier Biodesign, que procurou responder às especificidades ecológicas e funcionais do local, com soluções sustentáveis, simples e integradas.

Para conhecer melhor o conceito, a abordagem e as soluções encontradas para este projeto paisagístico, o Horto do Campo Grande falou com o arquiteto David Flores, responsável pelo projeto de paisagismo.
Qual foi o ponto de partida deste projeto de requalificação paisagística?
A proposta teve como ponto de partida a necessidade de revitalizar o espaço exterior desta villa, criando uma estrutura verde que reforçasse a relação com a paisagem, respeitando a identidade natural do local, e que permitisse viver o jardim de forma intuitiva e plena.
Como se articula este jardim com os usos e a arquitetura da casa?
O desenho procurou estabelecer um diálogo fluido entre os espaços interiores e exteriores. Tivemos o cuidado de organizar os percursos, definir zonas de estar, criar momentos de enquadramento visual e permitir relações diretas com os elementos vegetais do jardim. A casa comunica com o exterior através de vários pontos, e o jardim responde a essa linguagem, complementando-a com sombra, privacidade e escala humana.
Quais são os elementos estruturantes da proposta?
O projeto define várias áreas-chave: o pátio de entrada, os jardins de enquadramento (entrada e quartos), o percurso principal e o secundário, a clareira de recreio (uma solicitação do cliente), e um espaço “chill-out” junto ao deck da piscina. Criámos também um percurso de manutenção discreto. Cada uma destas zonas foi pensada com um propósito específico, garantindo funcionalidade e muito conforto.
Que soluções de construção foram utilizadas?
Procurámos manter a permeabilidade dos pavimentos, trabalhando com materiais já existentes ou idênticos, como o areão e a madeira. A estabilização dos taludes foi feita com vigas enterradas em V invertido. No espaço “chill-out”, desenhámos um murete-banco contínuo, em madeira, que prolonga o deck e se adapta à topografia.
E quanto à vegetação? Qual foi o critério de escolha?
Toda a vegetação foi escolhida em articulação com a lista fornecida pelo empreendimento, privilegiando espécies autóctones e adaptadas ao local. Plantas de baixa manutenção e reduzida necessidade de rega, que acompanham a estrutura do espaço, criando zonas de sombra, orientando vistas, e reforçando a privacidade entre os lotes. A organização vegetal permite uma leitura clara dos espaços e uma experiência magnífica ao longo das estações.
A rega foi uma preocupação no desenho do projeto?
Sim, claro. Embora se prevejam consumos hídricos baixos, a instalação inicial da vegetação exige apoio. Optámos por um sistema automatizado, gota-a-gota enterrado, que minimiza perdas e permite um controlo rigoroso da água.
Como descreve a relação entre funcionalidade e estética neste jardim?
Acreditamos que a estética deve surgir da funcionalidade e da integração no lugar. O jardim foi pensado para ser vivido, percorrido, observado. A clareira para skate, o deck, os percursos e as zonas de descanso articulam-se naturalmente, sem imposições. Os materiais e as plantas não competem com a arquitetura, mas prolongam-na.
Na sua perspetiva, que papel deve ter a arquitetura paisagista em projetos deste tipo?
Essencial. Em projetos residenciais como este, mas também em projetos urbanos ou públicos, a arquitetura paisagista é o elo que liga o construído à envolvente, que torna os espaços mais habitáveis e coerentes. O jardim não é um elemento acessório, é parte integrante do projeto de vida naquele lugar.

“Desfrutar do contacto com a natureza, usufruir de um espaço acolhedor e tranquilo que preserva o ambiente foi o que nos propusemos ao desenvolver este projecto de requalificação do espaço exterior deste lote neste privilegiado resort”, refere Vera Clara, Arquiteta Paisagista e responsável pelo Departamento de Projeto e Construção de Espaços Verdes do Horto do Campo Grande.
“As plantas, os arbustos, as trepadeiras e as árvores selecionadas que se podem encontrar nas zonas ajardinadas que circundam este lote recriam a vegetação natural. São plantas com menores necessidades de água e manutenção, de diferentes portes e tons de verde, algumas com pequenas flores de diferentes cores, que recriam um espaço campestre repleto de aromas, que se altera de acordo com as estações do ano, desperta todos os nossos sentidos, e transmite bem-estar”, refere Rita Cabral, Engenheira Agrónoma responsável pela direção desta obra.


CONHEÇA ALGUMAS DAS PLANTAS SELECCIONADAS PARA ESTE PROJECTO
Plantas: Armeria marítima e Armeria pugens, Erica carnea, Euphorbia characias, Helichrysum stoechas, Lavandula dent. americana, Lavandula stoechas, Miscanthus sinensis, Onosis ramosíssima, Santolina verde, Stipa tenuissima, Pennisetum setaceum rubro, Thymus vulgaris.
Arbustos: Atriplex halimus, Malaleuca, Metrosideros excelsa, Pistacia lentiscus, Rosmarinus prostratus, Rosmarinus officinalis, Tamarix africana, e Teucrium fruticans.
Trepadeiras: Bougainvillea
Árvores: Cupressus e Pinus pinea
Projecto de paisagismo:
Arqto. David Flores, Atelier Biodesign
Execução HCG, equipa:
Dir. Projecto: Arq.ª Vera Clara; Dir. Obra: Eng.ª Rita Cabral; Enc. Obra: António Monteiro; Calceteiro / Pedreiro e Jardineiros: Manuel Fonseca, José Duarte, Nsimba Garcia e Paulo Mukue; Transporte de Pesados, com braço articulado: André Rodrigues; Construção de madeiras: parceria HCG com Carmo Wood.
© Companhia das Cores para Horto do Campo Grande



